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Portefólio de Psicologia

Portefólio de Psicologia

A lobotomia

26.05.22
Foi abordado na aula a existência de um procedimento que propunha curar doentes mentais graves cortando as conexões entre os lobos frontais e o resto do cérebro. O tema despertara a minha curiosidade, levando me a pesquisar mais sobre o assunto.
 
Este processo ficara conhecido como lobotomia.
Desenvolvido por Egas Moniz na primeira metade do século XX, o tratamento chegou até mesmo a ser premiado com um prémio nobel em 1949. Consistia na retirada de um pedaço do cérebro, geralmente o lobo frontal, e era utilizado para curar todo o tipo de doenças psicológicas; desde depressão, epilepsia e esquizofrenia até mesmo mau comportamento, dificuldades na aprendizagem e rebeldia de crianças e adolescentes. 
 

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Na época, um jovem neurologista americano, Walter Freeman, ficou muito impressionado ao descobrir os resultados positivos das cirurgias de Moniz. Em 1946, este neurologista concebeu a "lobotomia transorbital", na qual instrumentos de aço que pareciam pontas de gelo eram martelados no cérebro através dos ossos frágeis na parte de trás das órbitas oculares. Vale ressaltar que os pacientes não precisavam de anestesia,  pois simplesmente eram nocauteados antes da operação com uma máquina de "eletrochoque" portátil.

 

Em muitos casos, a lobotomia ou transformava os pacientes em vegetais ou simplesmente tornava-os mais dóceis, passivos e fáceis de controlar (menos inteligentes também). Muitos médicos viam isso como um "bom progresso", porque eles não sabiam outras formas de tratar pacientes com doenças mentais.

À época, facto do paciente perder a capacidade motora e de fala, ter constantes convulsões ou qualquer outro dano cerebral, era considerado apenas um efeito colateral negativo do tratamento.

 

Apesar de Egas Moniz defender o uso da lobotomia apenas em casos graves, como em risco de suicídio, Walter Freeman praticou este tipo de cirurgia excessivamente nos Estados Unidos. O mesmo chegava a promover a lobotomia como uma cura para tudo, desde doenças mentais graves a depressão pós-parto e fortes dores de cabeça, dor crônica, indigestão nervosa, insônia e dificuldades comportamentais.

Este neurologista viajava durante longas temporadas fazendo lobotomias no seu "lobotomóvel", no fim, ele realizou 3 mil lobotomias nos EUA, chegando a fazer 20 num único dia.

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Descobriu-se que Walter Freeman, que inicialmente alegava uma taxa de sucesso de 85%, tinha, na verdade, uma taxa de mortalidade de 15%. E quando os médicos investigaram os resultados de longo prazo dos seus pacientes, eles descobriram que apenas um terço tinha melhorado, enquanto outro terço estava significativamente pior.

 

Pacientes de Freeman

Apaciente mais famosa de Freeman é Rosemary Kennedy, irmã do ex-presidente John F. Kennedy. Após Rosemary apresentar alguns comportamentos violentos e rebeldes, o seu pai Joseph autorizou que Rosemary fose lobotomizada aos 23 anos. Contudo, depois da cirurgia, Rosemary nunca mais conseguiu mais andar ou falar. Durante a maior parte do tempo a sua existência foi um segredo, pois ela passou o resto da sua vida escondida em instituições, necessitando de cuidados em tempo integral.

 Outro paciente foi o menino de 12 anos Howard Dully, autor do livro My Lobotomy. Dully era um menino rebelde e comum, contudo, seus comportamentos incomodavam a sua madrasta. Em 16 de dezembro de 1960 a mesma agendara-lhe uma lobotomia.

Howard Dully durante a cirurgia

Mesmo sendo um dos pacientes mais jovens a passar por uma lobotomia, o então menino sobreviveu sem sequelas, algo extremamente raro. O norte-americano nunca apresentou lentidão na fala, problemas nos olhos, falta de inibição social, nem perdeu o movimento das pernas. Howard milagrosamente ficou bem para contar a história e, mesmo após tantos anos, ele ainda se lembra bem do dia da cirurgia.

 

 

"Eles levantaram o olho e foram até o canto, acertaram e sacudiram com essa coisa que parece um batedor de ovos".

"É uma loucura para mim. Quer dizer, estamos a falar de um cérebro. Não deveria haver alguma precisão envolvida?

 

O mesmo conta que após a cirurgia sentiu os olhos inchados e doridos, além de ter sofrido com febre alta. Mentalmente sentia-se como um zombie e nem entendia bem o que lhe tinha acontecido.

 

"Tentei reconstruir minha vida. Levei muito tempo. Tive muitos problemas quando era um jovem adulto: drogas, álcool e atividades criminosas, tentando roubar e ganhar dinheiro, vencer na vida, então não foi fácil."

 

Dully que tenta evitar pensar em como sua vida poderia ter sido diferente se ele não tivesse se submetido ao procedimento, por medo de ser dominado pela raiva.

 

Este tratamento perdeu popularidade na década de 50, à medida que a população gamhou maior consciência dos seus efeitos colaterais. As críticas à lobotomia também cresceram entre os profissionais da medicina, que denunciavam negligências, uma vez que boa parte dos médicos que realizavam o procedimento não era formado por neurocirurgiões.

Foi também nesta época que os cientistas desenvolveram medicamentos psicoterapêuticos, muito mais eficazes e seguros no tratamento de transtornos mentais do que a lobotomia. Em 1960, o psiquiatra italiano Franco Basaglia  revolucionou o tratamento relacionado a transtornos mentais, investindo uma abordagem de reinserção territorial e cultural do paciente na comunidade, em vez de isolá-lo num manicômio à base de fortes medicações, vigilância ininterrupta, choques elétricos e camisas de força.

Atualmente as lobotomias ainda são realizadas em casos especiais, embora com outro tipo de cuidados. A remoção de áreas cerebrais específicas é reservada para o tratamento de pacientes para os quais todos os outros tratamentos falharam.

De acordo com um estudo publicado em 2005 no jornal Brain Research Reviews, atualmente a cirurgia é feita de modo preciso e visa apenas a parte do tecido cerebral que causa os sintomas problemáticos nas pessoas.

Uma dessas cirurgias cerebrais é conhecida como cingulotomia, que é usada para tratar pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo grave.

 

Várias são as mídias que apresentaram esta cirurgia, a grande maioria através de um olhar negativo. Um exemplo é a série da Netflix "Ratched"  que retrata um processo sádico que ataca vulneráveis e deixa pacientes em estado vegetativo.

Achei este tema bastante interessante de aprender e pesquisar sobre, contudo é difícil não me revoltar enquanto leio sobre os efeitos colaterais dos pacientes e a forma como isso afetou as suas vidas.

Sumários- 2º Período

07.05.22

Lição nº38

Sumário: Revisão dos conteúdos sobre o papel e importância das relações precoces e vinculação na construção da identidade. 

 

Lição nº39

Sumário: As consequências da perturbação das relações precoces- as experiências de Harlow e a sindrome de hospitalismo de Spitz.
O conceito de resiliência e fatores influenciadores.

 

Lição nº40

Sumário:Continuação do sumário da aula anterior- resiliência e contextos na perspetiva ecologica do desenvolvimento.

 

Lição nº41

Sumário: A cognição social, impressões e categorização. O processo de formação de impressões- carateristicas centrais e periféricas, o efeito de primazia.
A importânccia das primeiras impressões.

 

Lição nº42

Sumário:Continuação do sumário da aula anterior.
Impressões e expectativas, expectativas, estatuto e papel. O efeito das expectativas.

 

Lição nº43

Sumário:Resolução da proposta de trabalho da página 129.

 

Lição nº44

Sumário:Atitudes- definição, formação e fatores que as influenciam. As vertentes das atitudes. Atitude e comportamento.

 

Lição nº45

Sumário: Dissonância cognitiva.
Exercício- escala de medição de atitudes.

 

Lição nº46

Sumário:Os processos de influência social- normalização e conformismo.
A experiência de Ash- os fatores que favorecem o conformismo.

 

Lição nº47

Sumário:Conclusão do sumário da aula anterior.
A obediência e os fatores que a favorecem.
Visionamento  e discussão da experiência de Milgram.

 

Lição nº48

Sumário:Continuação do sumário da aula anterior.
A experiência de Stanford de Zimbard.
O inconformismo e o papel da minorias.

 

Lição nº49

Sumário:Os processos de relação interpessoal.
O fenómeno da atração- definição e fatores que promovem a atração.

 

Lição nº50

Sumário:Conclusão do estudo dos fatores que favorecem a atração.
A agressão- definição.

 

Lição nº51

Sumário:Tipos de agressão- quanto ao alvo, intenção do sujeito e forma de expressão.
As teorias explicativas da origem da agressão- freudiana e de Lorenz.

Lição nº52

Sumário:As teorias de Dollard - afrustração como origem da agressão e Badura- a agressão como aprendizagem social.  Visionamento de pequenos videos sobre o tema.

 

Lição nº53

Sumário:Fatores que induzem à agressão: alcool, temperatura, cultura. Apreciação crítica do tema.

 

Lição nº54

Sumário:O fenómeno da intimidade- caracterização e formas de intimidade.
A amizade como forma específica de intimidade e a sua importância para o desenvolvimento e autonomia do individuo- expectativas.
Caracteristicas da amizade e fatores que a influenciam- idade, género e cultura. 

 

Lição nº55

Sumário:Teste avaliação sumativa.

 

Lição nº56

Sumário:Continuação sumário aula anterior.

 

Lição nº57

Sumário:Diálogo/balanço das atividades letivas até ao momento e análise dos resultados do instrumento de avaliação sumativa realizado.
Preparação do trabalho de grupo- distribuição dos temas - preconceito, estereotipo e discriminação- pelos grupos.

 

Lição nº58

Sumário:Os processos de relação interpessoal- caracterização de conflito e tipos de conflitos. Conflito como fator de dinamismo e transformação.

 

Lição nº59

Sumário:Inicio da atividade de trabalho de grupo.

 

Lição nº60

Sumário:Continuação do sumário da aula anterior.

 

Lição nº61

Sumário:Trabalho de grupo

 

Lição nº62

Sumário:Trabalho de grupo- conclusão.

 

Lição nº63

Sumário:Inicio do estudo do Tema:Eu- a mente e a integração das dimensões cognitiva, emocional e conativa.
A mente como uma construção.
Os processos cognitivos- distinçõ entre sensação e perceção.

 

Lição nº64

Sumário:Caracterização do processo percetivo- a perceção como interpretação e construçãoda realidade.
Fatores que influenciam a perceção- expectativas, experiência prévia, cultura.
Leis da perceção- análise de algumas ilusões percetivas.

 

Lição nº65

Sumário:A memória: definição- tipos de memória.
Fases do processo de memorização.
A memória como construção.

 

Lição nº66

Sumário:Resolução de uma ficha de trabalho sobre os conteúdos lecionados- memória.

 

Lição nº67

Sumário:Continuação do estudo do tema memória- a importância da memória na história/identidade pessoal.
Distinção entre tipos de memória.
Memória e esquecimento- tipos de esquecimento.

 

Lição nº68

Sumário:Exploração dos conteúdos e conceitos mencionados.
Visionamento de alguns videos sobre o tema.

 

Lição nº69

Sumário:Apresentação de trabalhos de grupo sobre preconceito, discriminação e conflito.70

 

Lição nº70

Sumário:Conclusão da apresentação dos trabalhos de grupo.

 

Lição nº71

Sumário:Visionamento do filme "The breadwinner" sobre a problematica tratada ns trabalhos de grupo.

A dissonância cognitiva

05.05.22

Não é novidade que as pessoas tendem a procurar uma coerência nas suas crenças e perceções. Então, o que acontece quando uma das nossas crenças entra em conflito com outra crença anteriormente detida?

O termo dissonância cognitiva é usado para descrever as sensações de desconforto que resultam de duas crenças contraditórias. Quando há uma discrepância entre as crenças e comportamentos, algo tem de mudar, a fim de eliminar ou reduzir a dissonância.

Por exemplo, vamos considerar uma situação em que um homem que valoriza a preservação do ambiente compra um carro novo, o carro dos seus sonhos, o qual gasta muita gasolina. Esta pessoa poderá:

  1. mudar as suas duas convicções
  2. alterar a perceção da importância de uma delas
  3. adicionar uma outra informação
  4. negar a relação entre as duas convicções/informações

Qualquer uma destas opções reduziria a dissonância cognitiva, atenuando os efeitos de ansiedade e inquietação. O exemplo mais comum de dissonância cognitiva é o do fumante que está a deixar de usar o tabaco, ao tentar pegar no cigarro ele costuma pensar: "´´É só mais um, não me pode fazer nada de mal", "Fumar não faz assim tão mal quanto isso", "Há quem fume e que morra aos 100 anos sem nunca ter tido algum caso de cancro de pulmão", "Eu faço tanto exercício que nem interessa que eu fume".

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Por que a dissonância cognitiva é importante?

A dissonância cognitiva desempenha um papel em muitos julgamentos de valor, decisões e avaliações. Tornar-se consciente de como as crenças conflitantes impactam o processo de tomada de decisão é uma ótima maneira de melhorar a sua capacidade de fazer escolhas mais rápidas e precisas.

 

Considerações finais

De todas as matérias dadas neste ano letivo, esta é de longe a minha favorita. É uma matéria extremamente recorrente e aplica-se facilmente nas nossas vidas e, apercebermo-nos de como isto acontece e porquê é extremamente extimulante

 

 

Atitudes e Comportamentos

02.05.22
atitude representa como uma pessoa pensa ou sente sobre alguém ou alguma coisa.
 
No outro extremo, o comportamento representa a reação de um indivíduo a uma determinada ação, pessoa ou ambiente.
 
Tem sido dito que "a atitude de uma pessoa afeta os pensamentos enquanto o seu comportamento afeta as ações". Então, no tópico de hoje, irei explorar algumas diferenças significativas entre atitude e comportamento.
 
Gráfico de Comparação

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Principais diferenças entre atitudes e comportamentos

A diferença entre atitude e comportamento pode ser traçada claramente pelos seguintes motivos:

  1. Atitude é definida como a tendência mental de uma pessoa, que é responsável pela maneira como ele pensa ou sente por alguém ou algo. Comportamento implica as ações, movimentos, conduta ou funções ou um indivíduo ou grupo para outras pessoas.
  2. A atitude de uma pessoa é baseada principalmente nas experiências adquiridas por ele durante o curso de sua vida e observações. Por outro lado, o comportamento de uma pessoa depende da situação.
  3. Atitude é os pensamentos e sentimentos interiores de uma pessoa. Ao contrário do comportamento, expressa a atitude de uma pessoa.
  4. O modo de pensar ou sentir é refletido pela atitude de uma pessoa. Pelo contrário, a conduta de uma pessoa é refletida por seu comportamento.
  5. Atitude é definida pela maneira como percebemos as coisas, enquanto o comportamento é regido por normas sociais.
  6. A atitude é um traço humano, mas o comportamento é um atributo inato.
 

 

Processos de influência entre indivíduos

 
Normalização: 
 
O convívio entre as pessoas favorece um sistema de interações gerador de uniformidades, de atitudes e condutas. Nos grupos, existe a tendência para se instalar uniformismo em maneiras de pensar e agir. Norma social: escala de referência ou de avaliação que define uma margem de comportamentos, atitudes e opiniões, permitidos e condenáveis.
 
Conformismo:
 
Tendência das pessoas para ajustarem as suas atitudes e comportamentos às atitudes e comportamentos de outros elementos do grupo. Pode ser encarado de uma forma positiva se pensarmos na questão da intergração social.
 
 

Fatores de conformismo:

  • Auto-confiança; pessoas mais autoconfiantes são mais independentes do que as pessoas que têm a auto-estima baixa

 

  • Unanimidade do grupo; o conformismo é maior nos grupos em que há unanimidade

 

  • A natureza da resposta; o conformismo aumenta quando a resposta é dada publicamente

 

  • Importância do grupo; quanto mais atrativo o grupo for para a pessoa, maior é a probabilidade desta se conformar

 

  • Ambiguidade da situação; a pressão do grupo aumenta quando não temos a certeza do que é correto
 
As razões que levam as pessoas a conformar-se são as mesmas que as levam a fazer parte de grupos: a necessidade de ser aceite e de interagir com os outros.
 

A obediência

27.03.22

A palavra obediência é considerada pelo dicionário como o "cumprimento da vontade alheia", "submissão a uma autoridade". No ramo da psicologia, Stanley Milgram assumiu um papel importante no estudo deste fenómeno.

"Será que Eichmann e seus milhões de cúmplices no Holocausto estavam apenas cumprindo ordens? Poderíamos chamá-los de cúmplices?" (Milgram, 1974).

 
 
 
 
A experiência de Milgram:

Esta experiência, feita por Milgram tinha como objetivo o estudo das reações individuais face a indicações concretas de outros. A obediência era medida através das acções manifestadas e implicava comportamentos fontes de sofrimento para outros.
 
 
A Experiência:
  1. Um voluntário apresentava-se para participar na experiência, sem saber que seria avaliado na sua capacidade de obedecer a ordens. Era colocado no comando de uma falsa máquina de infligir choques, os sujeitos eram encarregues num suposto papel de “professor” numa experiência sobre “aprendizagem”.
  2. A máquina estava ligada ao corpo de um homem mais velho e afável, que era submetido a uma entrevista numa sala ao lado. O voluntário podia ver o homem mais velho, mas não era visto por ele;
  3. O voluntário era instruído por um investigador a accionar a máquina de choques sempre que a pessoa errava uma resposta. A intensidade dos choques aumentava supostamente 15 volts por cada erro cometido, desde 15 (marcado na máquina como “choque leve”) até 450 volts (marcado na máquina como “perigo: choque severo”);
  4. À medida que a intensidade dos choques aumentava, a pessoa queixava-se cada vez mais até se recusar a responder. Assim, o experimentador ordena o sujeito a continuar a administrar choques. ”Não há alternativa, tens que continuar”;

 

Após alguma pesquisa consegui encontrar áudios oficiais da experiência:

Clipe 1: Este é um longo clipe de áudio do 3º participante dando choques ao ator. É possível ouvir os apelos do ator para ser libertado e as instruções do experimentador para o participante continuar.

Clipe 2: Um pequeno clipe do ator dizendo recusar-se a continuar a experiência.

Clipe 3: O ator começa a reclamar de problemas cardíacos.

Clipe 4: É ouvido o ator a fingir levar um choque: "Deixe-me sair daqui. Deixe-me sair, deixe-me sair, deixe-me sair" 

Clipe 5: O investigador diz ao participante que ele deve continuar.

The Milgram Experiment Showed That Anyone Could Be A Monster
 
 
Mesmo testemunhando sofrimento, a maior parte dos voluntários continuava a obedecer às ordens e infligindo choques cada vez maiores. A intensidade máxima, 450 v, significaria hipoteticamente matar a outra pessoa,e, ainda assim 65% das pessoas obedeceram às ordens até ao fim e deram o choque supostamente fatal.
 
Como concluiu Milgram:
 

“Os aspectos jurídicos e filosóficos da obediência são de enorme importância, mas dizem muito pouco sobre como a maioria das pessoas se comporta em situações concretas.

Montei uma experiência simples na Universidade de Yale para testar quanta dor um cidadão comum infligiria a outra pessoa simplesmente porque foi ordenado por um cientista experimental.

A autoridade absoluta foi colocada contra os mais fortes valores morais dos sujeitos [participantes] contra ferir os outros, e, com os ouvidos dos sujeitos [participantes] zumbindo com os gritos das vítimas, a autoridade venceu na maioria das vezes.

A extrema disposição dos adultos de fazer quase tudo sob o comando de uma autoridade constitui a principal descoberta do estudo e o fato que mais exige explicação urgente.'

 
 
Com este estudo, Milgram conseguiu estabelecer os principais fatores que impulsionam a obediência:
 
 
Proximidade da vítima
 
Se a vítima só podia ser ouvida, 65% dos sujeitos iam até ao limite.
 
Se houvesse contacto visual a percentagem baixava. Contudo, mesmo quando os sujeitos eram eles próprios a manter a mão do aprendiz sobre uma placa metálica, 30% iam até aos 450 volts.
 
 
 
Proximidade com a figura de autoridade:
 
Quando o experimentador dava as instruções pelo telefone só 20.5% continuavam a obedecer, enquanto que a taxa aumentava quando o instrutor ordenava presencialmente.
 
 
 
Legitimidade da autoridade:
 
Quando a experiência era conduzida num edifício normal de escritórios a obediência caiu para 48%
 
 
 
Influências sociais:
 
Se estivesse presente um segundo sujeito que obedecia, a obediência chegava aos 92%. Se o outro recusava, somente 10% dos sujeitos chega aos 450V.
 
 
 
As opções metodológicas deste estudo levantaram alguns problemas do ponto de vista ético pois podemos questionar se seria legítimo induzir os sujeitos experimentais em erro numa questão tão delicada quanto esta. Quem efectivamente acabava por sofrer algum dano era o sujeito "agressor" que podia ficar afectado psicologicamente por ter sido levado a pensar que tinha provocado sofrimento a outra pessoa. Pessoalmente não me acredito que esta experiência teria causado danos psicológicos de grande importância. O próprio Milgram teria questionado os integrantes da experiência acerca do assunto, e, aparentemente, 83,7% dos participantes admitiram estarem "alegres por terem participado na experiência", enquanto que apenas 1.3% exprimiram que "desejavam nunca ter concluído a experiência. 
 
 
De qualquer forma, esta experiência chocou profundamente a sociedade americana. Sendo que na época dos Julgamentos de Nuremberga criminosos nazis utilizavam como argumento o facto de apenas terem comprido ordens de superiores, estes resultados colocavam criminosos nazis e americanos comuns no mesmo patamar.
The Milgram Experiment Showed That Anyone Could Be A Monster
 
 
Considero esta uma experiência bastante interessante e necessária para o melhor entendimento da mente humana.