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Portefólio de Psicologia

Portefólio de Psicologia

A conação

31.05.22
A conação, juntamente com a cognição e a emoção, é um dos 3 conjuntos
de processos mentais tradicionalmente identificados. Corresponde à dimensão
intencional, empenhada e deliberada dos processos psíquicos. Remete para os aspetos que se
relacionam com a iniciativa da ação.
 
Existem 3 tipos de teorias sobre a motivação:
 
As assentes em aspetos biológicos:
  • Instinto
  • Redução do impulso
  • Ativação
As assentes nos aspetos psicológicos:
  • Incentivo
  • Expectativa
As assentes em aspetos biológicos e psicológicos:
  • Hierarquia de necessidades

 

Intensões e Tendências

tendencias intençoes.png

Enquanto que as tendências são mecanismos biológicos universais que orientam o nosso
comportamento para a satisfação de necessidades, as intenções são processos
psicológicos e sociais complexos que orientam a nossa ação para a realização de
desejos.
 
 
Autocontrolo
 
O autocontrolo foi objeto de estudo do psicólogo Mischel, que desenvolveu um teste
para avaliar a capacidade de as crianças adiarem gratificações: o teste dos
marshmallows.
 
Mischel e a sua equipa perceberam que as crianças que conseguiam
esperar pela segunda guloseima utilizavam estratégias de autoproibição e de
autodistração, o que indicava que o autocontrolo não era natural, mas relacionava-se
antes com uma estratégia ou esforço consciente.

 
 
Teoria da motivação de Abraham Maslow
 
 
Esta teoria diz-nos que as necessidades organizam-se hierarquicamente: primeiro
satisfazemos as necessidades de défice (fisiológicas, de segurança, de afeto e pertença e
de estima) e só depois as necessidades de ser (autorrealização). A aplicação universal da
hierarquia das necessidades proposta por Maslow é amplamente contestada, como casos
de fomes, por exemplo, atestam. Esta proposta não explica, pois, uma parte das
condutas motivadas do ser humano e deixa em aberto muitas questões sobre as
características de um indivíduo autorrealizada.
Abraham Maslow – Wikipédia, a enciclopédia livre
 
 
 

Sumários- 3º Período

30.05.22

Lição nº72

Sumário:Continuação do estudo dos processos cognitivos- a importância da memória e o seu papel na vida.
Inicio do estudo da aprendizagem- defiição e características.
Aprendizagem não associativa- habituação e sensitização.

 

Lição nº73

Sumário:A aprendizagem associativa- aprendizagem por condicionamento. O condicionamento clássico de Pavlov.

 

Lição nº74

Sumário:O condicionamento operante- definição e a distinção entre reforço positivo e negativo e castigo.

 

Lição nº75

Sumário:Conclusão do sumário da aula anterior.
Aprendizagem por Imitação ou modelagem- a noção de reforço vicariante.

 

Lição nº76

Sumário:Como aprendemos- quando aprendemos - trabalho de pares de criação de um plano de estudo para os exames.

 

Lição nº77

Sumário:Inicio do estudo dos processos emocionais- distinção emoções, afetos e sentimentos Distinção entre emoções primárias e emoções secundárias. Definição de emoção

 

Lição nº78

Sumário:As perspetivas sobre emoções: evolutiva, fisiológica, cognitivista e culturalistal.
Razão e a emoção- António Damásio.
O mecanismo da decisão e o marcador somático.

 

Lição nº79

Sumário:Continuação do sumário da aula anterior.

 

Lição nº80

Sumário:O caráter específico dos processos conativos- intencionalidade e motivação.

 

Lição nº81

Sumário:Visionamento do filme- Match Point- conação e motivação, necessidades e desejos- a teoria de Maslow.

 

Lição nº82

Sumário: Continuação do sumário da aula anterior.

 

Lição nº83

Sumário:Conclusão do visionamento do filme- questionário de aplicação dos conteúdos.84

 

Lição nº84

Sumário:Avaliação sumativa- teste escrito.

 

Lição nº85

Sumário:Continuação do sumário da aula anterior.

 

Lição nº86

Sumário:Perspetivas do desenvolvimento humano- conceitos estruturantes de diferentes conceções de Homem- consciência e comportmento observável (Wundt e Watson)

 

Lição nº87

Sumário:Trabalho autónomo- preparação e organização do Portefólio da disciplina.

 

Lição nº88

Sumário:Continuação do trabalho autónomo.

 

Lição nº89

Sumário:Continuação da elaboração do trabalho autónomo.

 

A Perceção e a Sensação

29.05.22

A perceção é um processo cognitivo através do qual contactamos com o mundo, caracteriza se por exigir a presença da realidade a conhecer. Pela perceção, organizamos e interpretamos as informações sensoriais. Assim, a perceção começa nos órgãos sensoriais (pele, língua, nariz, ouvidos e olhos) que são sensíveis a estímulos específicos. Ao processo de deteção e receção dos estímulos recebidos chama-se sensação.

Enquanto que as sensações são meras captações de estímulos, a perceção exige um trabalho de análise e síntese. E enquanto que a sensação é a experiência simples dos estímulos, a perceção envolve a interpretação das informações sensórias recebidas.
 

Acredito que a forma mais simples de ilustrar este conceito seja apresentando um dos meus movimentos artísticos favoritos; o impressionismo.

A pintura impressionista é essencialmente baseada na captação do momento. Desta forma, os pintores captavam as suas sensações e perceções da realidade numa tela 2d. Representando o movimento, a luminosidade do momento, cor e sombra das paisagens; chegando ao ponto de pintar o mesmo quadro em diferentes horários do dia. 
 
 
O caso mais prático disso são as cerca de 30 telas pintadas por Monet sob o tema da Catedral de Ruão.

Neste conjunto de telas podemos ver a Catedral de Ruão não só em vários pontos do dia como também sob várias condições meteorológicas. 

O foco deste projeto não está na Catedral, esta aparece maioritariamente desfocada nos quadros, mas sim na perceção que o artista teve no momento da pintura. 
 
Considero este movimento, e mais precisamente este conjunto de quadros, como uma ilustração perfeita desta matéria, visto que se trata de um exemplo prático da mesma.

As emoções

15.05.22

Definições iniciais

Sentimento: estado afetivo relativamente estável de intensidade média e estável, sentimentos podem ser racionalizados, ao contrário das emoções

Emoções: Processos desencadeados por um acontecimento, pessoa, situação, que é objecto de uma avaliação cognitiva, muitas vezes inconsciente.

Pode-se dizer que até à década de 70 do século XX, as emoções estiveram afastadas do núcleo central da reflexão sobre o comportamento humano e sobre a sociedade. Eram encaradas como perturbadoras do modo de pensar e de agir, porque eram irracionais.

O primado da racionalidade, que dominava não só a psicologia como as outras ciências humanas e sociais, levava a que as emoções fossem interpretadas como um ruído, um obstáculo ao funcionamento adequado da razão, do pensamento.

Estas conceções foram alteradas com as investigações feitas por psicólogos como António Damásio. Atualmente as emoções são mais valorizadaspelos estudiosos por se enquadrarem em processos com valor adaptativo, que nos ajudam a tomar melhores decisões.

 

Os três tipos de emoções

Emoções Primárias (ou universais)

  • Alegria
  • Tristeza
  • Medo
  • Nojo
  • Ira
  • Surpresa

Estão presentes em todas as culturas e aparecem muito cedo na vida do ser humano. Desta forma assentam numa base inata e o seu aparecimento não depende da aprendizagem. São como aquelas 5 emoções pricipais do filme "Inside-Out" da Pixar, (suponho que por motivos cinematográficos retiraram a surpresa dos personagens)

 

Emoções Secundárias 

  • Vergonha
  • Ciúme
  • Culpa
  • Orgulho
  • Prazer

Foram construídas sobre as emoções iniciais e possuem um maior grau de complexidade. Ao contrário das emoções primárias, é preciso certo nível de consciência para poder desenvolver emoções secundárias. Por este motivo não são universais ou iguais entre culturas diferentes.

 

Emoções de Fundo

  • Bem-estar
  • Mal-estar
  • Calma
  • Tensão

 

Diferentes perspetivas sobre a emoção:

 

DARWIN- perspetiva evolutiva:

  • existem emoções universais;
  • a emoção tem um carácter fortemente adaptativo;
  • a evolução e a sobrevivência do ser humano dependem da emoção;
  • existem seis emoções primárias;

 

 

WILLIAM JAMES- perspetiva fisiológica:

  • as reações fisiológicas não são resultado das emoções. As emoções são consequência das reações fisiológicas;
  • é o facto de tomarmos consciência dos estados do corpo que origina a emoção;
  • "Não fujo porque tenho medo, tenho medo porque fujo". Esta perspetiva estabelece uma relação mútua entre a mente e o corpo;

 

-Perspetiva cognitiva:

  • não são os acontecimentos que geram as emoções;
  • é a perceção que fazemos dos acontecimentos que desencadeia a emoção;
  • é a forma como eu vejo as coisas que gera emoções;

 

-Perspetiva culturalista:

  • A emoção é uma construção social;
  • Aprendemos a emoção como aprendemos a linguagem;
  • As emoções variam de cultura para cultura uma vez que as regras culturais controlam os estados emocionais;

Componentes da emoção

Componente cognitiva: Ocorre quando tomamos conhecimento do facto: se não houver conhecimento deste, não se experimenta qualquer emoção;
 
Componente avaliativa: Fazemos uma avaliação, agradável ou desagradável, da situação;
 
Componente fisiológica: Manifestações orgânicas, corporais face à emoção;
 
Componente expressiva: Expressões corporais que permitem mostrar ao outro as nossas emoções;
 
Componente comportamental: Comportamento que o sujeito poderá ter face ao outro, é o estado emocional que desencadeia determinado conjunto de comportamentos;
 
Componente subjetiva: Relaciona-se com o que o indivíduo sente a nível emocional e interior a que só ele tem acesso, ou seja, é o estado afectivo associado à emoção.

 

 

Argumentos para o papel da razão no processo de decisão:

-A razão tem um papel importante na decisão. Mas e se a decisão fosse tomada só pela razão, ficaríamos indefinitivamente na avaliação lógica das diversas hipóteses.

Só com base na razão a decisão deixaria de ser oportuna;

A emoção não substitui a razão no processo de decisão;

A emoção é um sistema de apoio sem o qual a razão não funciona de forma eficaz;

 

 

A Im-Persistência da Memória

13.05.22

Normalmente, o esquecimento é associado a uma falha mental. Ainda assim, sem o esquecimento ser-nos-ia impossível continuar a memorizar informação. Portanto, neste caso, o esquecimento serve como que um filtro daquilo que ainda nos é importante, a este processo designa-se por função seletiva e adaptativa. A própria memória também tem um carater adaptativo pois ela não memoriza tudo a que estamos expostos no dia-a-dia (a informação é transformada).

Existem três teorias que pretendem abordar a origem do esquecimento: por interferência de aprendizagem (como que uma reciclagem de informação), regressivo, e motivado.

 

Esquecimento regressivo

Uma das hipóteses avançadas para explicar o esquecimento reside no desaparecimento do traço mnésico registado no cérebro devido à passagem do tempo. O esquecimento teria origem na degenerescência dos tecidos cerebrais, que enfraquecerão devido à falta de repetição e de exercício.
Recentemente, investigações apontam para o facto de grande parte das deformações ocorrerem na forma como percecionamos os acontecimentos e não numa mudança no traço da memória.

 

 Acho que uma boa ilustração deste conceito é o quadro "A Persistência da Memória" de Salvador Dali, o quadro que serviu como trocadilho para o título deste post. Esta é uma pintura surrealista, do mesmo movimento que pretendia capturar a psique humana, a qual captura bem a decadência da memória. Através dos seus relógios distorcidos podemos distinguir as deturpações do tempo, estes já não vistos na sua forma original, mas sim num estado amolecido. Vou destacar a mosca pousada num dos relógios, passando a mensagem de que "o tempo voa" e com ele a nossa mente já não está tão lúcida quanto antes. As formigas presentes no relógio á esquerda reforçam a ideia da destruição da memória, devorando o relógio como se fosse um pedaço de comida. A disposição de objetos pouco usuais e um cenário pouco convencional pode estar ligada com o tema seguinte.
 

Esquecimento por interferência de novas aprendizagens

Nesta teoria, os conteúdos armazenados podem ser afetados pela aprendizagem e memorização de novas informações. Deixando a pessoa sem conseguir recordar determinado conteúdo porque este encontra-se " misturado " com outras recordações. Assim, o esquecimento seria provocado mais por influência das interferências do que do enfraquecimento do traço mnésico.

No entanto, as interferências não têm um efeito só negativo, pois determinados conhecimentos anteriores podem facilitar novas aprendizagens.

 

 
 
Esquecimento motivado
Segundo Freud, existem motivações inconscientes que nos levam a esquecer determinados conteúdos indesejáveis ou prejudiciais ao nosso bem-estar psicológico. Atuando basicamente como um mecanismo de defesa. Este processo designa-se por recalcamento. Os freudianos também argumentaram que, mesmo que as lembranças não pudessem ser acessadas, elas ainda causavam perturbações para o indivíduo no presente. A maneira de libertar as pessoas da dor dessas memórias era voltar, encontrar as experiências e revivê-las. Em teoria, os indivíduos que eram capazes de se lembrar de material oculto inconscientemente acabavam ficando mais confortáveis ​​ou mais livres de neuroses.
 
Uma das minhas séries de animação favoritas aborda exatamente este tipo de esquecimento. Denominada Gakkou Gurashi!, é um anime que foi criado com o fim de parecer uma série fofa e cómica sobre um grupo de meninas que vivem uma vida tranquila na sua escola. Inesperadamente, é descoberto no final do primeiro episódio que tudo se passa num universo pós-apocalíptico e que apenas tínhamos acompanhado o ponto de vista da protagonista Yuki, uma menina que se "esqueceu" da existência dos zombies após ficar traumatizada com a morte da sua professora. Ela vive na escola com outras sobreviventes (cada uma com a sua história), as quais decidiram "apoiar" a protagonista, fingindo um vida normal e sem perigo, e em que todos ainda estavam vivos.
Tal como acontece com o esquecimento motivado, aqui a personagem inconscientemente esquece os conteúdos traumatizantes com o fim de evitar a angústia e manter a sua estabilidade mental.

Esta série é bastante divertida pela premissa, pelo choque inicial, pelo roteiro e pelo suspanse de nunca saber quem e o que é real ou apenas fruto da imaginação da Yuki.
 
Com envelhecimento , as capacidades mnésicas diminuem em consequência da perda de qualidades progressiva dos tecidos cerebrais .
Surgem dificuldades em adquirir conhecimentos , novos evocação de nomes de pessoas conhecidas e acontecimentos de relativos ao passado recente . A capacidade de de atenção e concentração diminui .
 
Irei agora nomear algumas doenças ou situações que envolvem a perda de memória:
  • Alzheimer
  • Aterosclerose
  • Parkinson
  • Memória e Depressão
  • Demência
  • Défice de vitaminas
  • Coreia de Huntington
  • Complexo demencial da SIDA

Dentro deste tema, vale a pena mencionar o álbum experimental "Everywhere at the End of Time".

Uma produção com a duração de 6 horas e meia, criada pelo artista Leyland Kirby (The Caretaker) num intervalo de três anos. Um álbum propositalmente doloroso de ouvir, pois retrata com exatidão aquilo que uma pessoa com Alzheimer ou com demência pode sentir durante as várias fases da doença. Desta maneira, "Everywhere at the end of time" está dividido em 6 partes, cada uma representando uma fase.
Aprecio a forma como o artista compôs as músicas, recorrendo a vários simbolismos como ao uso de samples dos anos 30 e 40, pausas repentinas na música que sugerem que algo de mau está a acontecer, e por fim, o momento lúcido final do sujeito artístico, em que o mesmo, depois de tantas horas de confusão, desespero e vazio, consegue finalmente encontrar alguma clareza antes da morte. Um momento que é o mais assustador e o mais bonito do álbum ao mesmo tempo.
Conheci este album musical através deste vídeo no youtube (minuto 4:07):