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Como sabemos, entre pessoas da mesma família o risco de dois genes recessivos ligados a uma doença grave se encontrarem é grande.
Os genes recessivos são "menos expressivos” e, por isso, é preciso herdá-los duas vezes para que o conteúdo neles associado se manifeste. Muitas vezes, essa manifestação não se trata de apenas uma característica, e sim, de doenças, são as chamadas doenças autossômicas recessivas. Uma vez que as pessoas aparentadas tendem a compartilhar genes próximos, os descendentes de um casal consanguíneo têm grandes chances de desenvolver doenças autossômicas recessivas.

Este facto fez-me lembrar do caso da família real de Habsburgo, (muito conhecida pelo seu proeminente queixo de Habsburgo) a qual acreditava na prática do incesto como uma forma de manter o sangue real, e assim, gerar herdeiros mais capacitados.

Acontece que os resultados foram contrários às espectativas, e o último rei da dinastia dos Harbsburgo, Carlos II da Espanha, era tão fisicamente incapacitado e deformado que mal conseguia mastigar a própria comida. Não o bastante, este também sofria de epilepsia, impotência e raquitismo, além de ser considerado quase louco, ganhando o cognome de “O Amaldiçoado”.
Este rei é descrito como: "mais baixo do que alto, malformado, tem rosto desajeitado, pescoço longo e rosto alongado e curvado, o lábio típico da casa dos Habsburgos , olhos muito grandes, olhos turquesa e pele fina e delicado. O cabelo é longo e loiro, trazido para trás para expor as orelhas. Não é possível endireitar o corpo, mas, quando ele caminha, ele se apoia em uma mesa na parede ou em qualquer outra coisa. Seu corpo é tão fraco quanto sua mente. Às vezes, mostra sinais de inteligência, memória e vivacidade, mas não agora, parece lento e sem resposta, desajeitado, preguiçoso, com uma expressão de surpresa. Você pode fazer o que quiser, não tem vontade própria." É também conhecido que a família de Carlos II, “lhe tratava com tanta indulgência que ninguém nem exigia que ele andasse limpo. Carlos também tinha várias superstições e dormia com amuletos debaixo da almofada, como fios de cabelo e unhas cortadas”.
O mesmo também era infértil e não deixou descendentes, causando uma crise dinástica em Espanha.
Hoje em dia temos a certeza de que quanto mais distante geneticamente os pais, menores as chances do filho carregar alterações genéticas recessivas. Por isso, o incesto é tabu na sociedade atual, chegando mesmo a ser considerado crime nalguns países, tais como a Dinamarca, o Reino Unido e a República Checa.

Deixo aqui em baixo um vídeo abordando o tema, sob a temática da série: "Game of Thrones"
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As “crianças selvagens” são crianças que cresceram privadas de todo o contacto humano, ou cujo contacto humano foi mínimo. Podem ter sido criadas por animais (frequentemente lobos) ou, de alguma maneira, terem sobrevivido sozinhas. Normalmente, são perdidas, roubadas, vítimas de situação de abuso ou abandonadas na infância e, depois, anos mais tarde, descobertas, capturadas e recolhidas entre os humanos.
Estas crianças apresentam características muito particulares, no momento em que são encontradas, possuem uma linguagem, sobretudo linguagem mímica, em alguns casos imitativa dos sons e dos gestos dos animais com quem viveram. A sua linguagem verbal é quase sempre nula ou muito reduzida e varia de caso para caso, conforme o tipo de isolamento e a idade a qual aconteceu. A sua capacidade para aprender uma língua no seu regresso à sociedade humana é muito variada. Algumas nunca aprendem a falar, outras aprendem algumas palavras, outras ainda aprenderam a falar correctamente, o que provavelmente indicia que tinham aprendido a falar antes do isolamento. As crianças selvagens exibem o comportamento social das suas famílias adoptivas. Não gostam em geral de usar roupa e alimentam-se, bebem e comem tal como um animal o faria. A maioria das crianças selvagens não gosta da companhia humana e percorrem longas distâncias para a evitar.

As crianças selvagens não se riem ou choram, apesar de eventualmente poderem desenvolver alguma ligação afectiva. Manifestam pouco ou nenhum controlo emocional e, muitas vezes, têm ataques de raiva podendo então exibir uma força particular e um comportamento claramente selvagem.
Os casos mais conhecidos e que ficaram célebres, foram:
Entre os casos mais conhecidos, temos ainda o caso de Isabel Quaresma, em Portugal.
Isabel Quaresma

Isabel Quaresma é um caso português que relata uma menina que viveu a sua infância num galinheiro.
Na verdade, ainda que tivesse mantido algum contacto com a sua mãe, é muito provável que esta pouco ou nada falasse com a sua filha, limitando-se a alimentá-la como alimentava as galinhas.
Quando Isabel foi encontrada possuía algumas características físicas específicas, tais como:

Em termos comportamentais, revelava atitudes consideradas extremamente agressivas ou estranhas, ( como comer o seu próprio cabelo)
Relativamente a processos de instrução, verifica-se que Isabel consegue aprender algumas coisas básicas, como:
Em suma, o modo como estas crianças se relacionam com os outros e com o mundo provoca em nós uma estranheza fundamental. Não nos reconhecemos nelas, elas não se reconhecem em nós. Mas as suas capacidades e as suas características mostram como dependemos de outros, do contacto físico e sociocultural com eles, para nos tornamos os seres humanos que somos.
Estes casos demonstram que ser humano é mais do que pertencemos a uma espécie de seres com determinada biologia e estrutura corporal, tornamo-nos humanos através da aprendizagem de formas partilhadas e reconhecíveis de ser e de nos comportarmos. Estas crianças crescem isoladas do contacto com outros humanos, o seu comportamento é feito da ausência de qualquer contacto social, e por isso não tiveram qualquer tipo de aprendizagem de comportamentos, normas, práticas e valores de uma determinada comunidade, ou seja, não tiveram qualquer processo de socialização, ainda que em alguns casos a socialização primária acontece. O seu comportamento social não é em geral, orientado para outros seres humanos, nem segue os mesmos padrões, podendo aproximar-se, em alguns casos, do dos animais que interagiram, quando existia uma interacção de tipo social com outros animais. Tudo isto me leva a concluir que o papel das interações sociais é fulcral no desenvolvimento humano.
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A genética é a ciência responsável pelo estudo do processo de transmissão dos caracteres dos progenitores para a sua descendência.

Como fora entendido na aula, a figura mais notável no que se diz respeito ao aparecimento desta ciência foi o monge Gregor Mendel. O monge dedicou-se ao estudo do processo de transmissão de características entre diversas gerações de ervilhas (Pisum sativum), resultando na descoberta de valiosas informações sobre hereditariadade.
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A lesão do lobo frontal, de modo geral, leva à perda total da capacidade para resolver problemas e para planear o início de ações: como atravessar a rua ou responder a uma pergunta complexa (às vezes chamadas de funções executivas).

Entre os vários casos de lesões no córtex frontal, consigo imediantamente identificar o caso do rei Henrique VIII de Inglaterra.

O rei Henrique VIII ficou marcado para a história como o rei que, como um tirano, dividiu religiosamente o país levando a confrontos e mortes por séculos, apenas por sua vontade de se divorciar de suas esposas (seis no total), e por seu comportamento cruel (chegando a mandar executar duas delas).
Em 1524, uma lança penetrou o seu capacete, resultando numa lesão acima do olho direito (no lobo frontal), antecendo ao rei episódios de enxaquecas fortes.
A lesão cerebral traumática explica os problemas de memória, raiva explosiva, incapacidade de controlar impulsos, dores de cabeça e insônia que afligiram o rei durante a última fase de sua vida.
Em 1546, por exemplo, este estava a esclarecer à sua sexta esposa, Catherine Parr, de que ele não iria mandá-la para a Torre de Londres quando soldados chegaram para a prender. Ele lançou um discurso contra os soldados, tendo esquecido que havia dado essa ordem no dia anterior.
Outros efeitos colaterais ocasionais de uma lesão cerebral traumática são a deficiência de hormónios do crescimento e o hipogonadismo, que podem levar à síndrome metabólica e à impotência, respetivamente. O rei Henrique encaixa-se nesta descrição, tendo passado por dificuldades em concluir as relações sexuais desde o casamento com sua segunda esposa, Ana de Bolonha.
Este incidente manifesta paralelismos com o caso abordado em aula de Phineas Gage; um trabalhador das estradas de ferro dos Estados Unidos que em 1848 teve seu crânio atravessado por uma barra metálica de um metro e meio de comprimento e sobreviveu para contar a história.

Os relatos sobre a vida de Phineas posteriores ao acidente mostram que, assim como Henrique, embora ele parecesse uma pessoa normal, sua capacidade de tomar a decisão correta em cada situação tinha sido destruída junto com seus lobos frontais.
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