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Portefólio de Psicologia

Portefólio de Psicologia

A conação

31.05.22
A conação, juntamente com a cognição e a emoção, é um dos 3 conjuntos
de processos mentais tradicionalmente identificados. Corresponde à dimensão
intencional, empenhada e deliberada dos processos psíquicos. Remete para os aspetos que se
relacionam com a iniciativa da ação.
 
Existem 3 tipos de teorias sobre a motivação:
 
As assentes em aspetos biológicos:
  • Instinto
  • Redução do impulso
  • Ativação
As assentes nos aspetos psicológicos:
  • Incentivo
  • Expectativa
As assentes em aspetos biológicos e psicológicos:
  • Hierarquia de necessidades

 

Intensões e Tendências

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Enquanto que as tendências são mecanismos biológicos universais que orientam o nosso
comportamento para a satisfação de necessidades, as intenções são processos
psicológicos e sociais complexos que orientam a nossa ação para a realização de
desejos.
 
 
Autocontrolo
 
O autocontrolo foi objeto de estudo do psicólogo Mischel, que desenvolveu um teste
para avaliar a capacidade de as crianças adiarem gratificações: o teste dos
marshmallows.
 
Mischel e a sua equipa perceberam que as crianças que conseguiam
esperar pela segunda guloseima utilizavam estratégias de autoproibição e de
autodistração, o que indicava que o autocontrolo não era natural, mas relacionava-se
antes com uma estratégia ou esforço consciente.

 
 
Teoria da motivação de Abraham Maslow
 
 
Esta teoria diz-nos que as necessidades organizam-se hierarquicamente: primeiro
satisfazemos as necessidades de défice (fisiológicas, de segurança, de afeto e pertença e
de estima) e só depois as necessidades de ser (autorrealização). A aplicação universal da
hierarquia das necessidades proposta por Maslow é amplamente contestada, como casos
de fomes, por exemplo, atestam. Esta proposta não explica, pois, uma parte das
condutas motivadas do ser humano e deixa em aberto muitas questões sobre as
características de um indivíduo autorrealizada.
Abraham Maslow – Wikipédia, a enciclopédia livre
 
 
 

Visualização do filme "Match Point"

31.05.22
Exercício da aula: Visualização do filme "Match Point"
 
 
Durante as aulas de psicologia foi visualizado um filme chamado "Match Point".
 
Match Point – Wikipédia, a enciclopédia livre
 
Match Point é o nome de um filme lançado em 2006, o qual aborda a vida de um instrutor de ténis (Chris), na cidade de Londres. Ao longo do filme ele vai conhecendo Tom, o filho de uma rica família britânica, com o qual desenvolve uma longa amizade, assim como a irmã do amigo (Chloe) e a sua bonita Nola.
Ao aperceber-se das vantagens que ganharia ao sair com Chloe, o protagonista Chris começa uma relação com a mesma após reparar no interesse que ela nutre por ele. Contudo, Chris sente-se totalmente atraído pela beleza de Nola, fazendo com que ambos traiam Tom e Chloe em segredo.
Após algum tempo, Nola decide afastar-se de Tom (que continua apaixonado por ela). Vale notar que ambos, Nola e Chris, alimentam seus relacionamentos com Tom e Chloe, respetivamente, por puro interesse e não demora muito para Chris casar-se com Chloe. Certo dia, Chris encontra-se por acaso com Nola. Tom acabou com ela e, agora solteira, Nola acaba cedendo às provocações de Chris. Eles mantêm um caso durante um longo tempo e tudo parece ir bem, pelo menos até á gravidez de Nola. Sem coragem e vontade suficientes para largar Chloe e todos os privilégios que ela lhe proporciona, Chris decide que precisa resolver essa situação (pressionado por Nola). Por fim, ele planeia matá-la e leva a cabo sua ideia, utilizando informações antigamente divulgadas no filme como a criação de ratos da vizinha ou o aumento da criminalidade no bairro da Nola como ferramentas para a execução do seu plano.
 
A reviravolta é marcante: embora mau-caráter, esperto e suficientemente manipulador para ascender na carreira usando um relacionamento, achei difícil imaginar que o protagonista fosse capaz de matar a sangue frio, muito menos a sua tão "amada" Nola. Resolvida a situação, Chris segue feliz em seu casamento, em seu bom emprego e em tudo aquilo que almejara.
 
 
Através do modelo triangular do amor de Sternberg, é possível classificar o tipo da amor de cada casal. Para isso irei utilizar alguns símbolos: sendo o visto "✔️" uma confirmação desse tipo de relação, a cruz "❌" uma negação desse sentimento, e o mais "➕" apresenta uma opinião ambígua ou controversa àcerca do tipo de intenção.
 
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1- Chris e Chloe
Cinema: Match Point, Woody Allen – SCREAM & YELL
 
Chris:
 
Intimidade-❌, após assistir ao Chris mentir para Chloe inúmeras vezes quanto ás suas reais intenções, duvido que ele partilhe suas emoções com ela. Mesmo que houvesse intimidade entre o casal, ela acabaria no momento em que Chris lhe escondesse a sua amante e, posteriormente, a sua tentativa de assassinato 
 
Paixão- ❌, mesmo que fosse possível a existência de alguma paixão por parte do Chris no começo da relação, ao longo do filme ela certamente dissipar-se-ia (isto é comprovado pela falta de vontade de Chris em ter relações com Chloe no final do filme).
 
Compromisso- ✔️, apesar de tudo, é impossível negar o compromisso de Chris em manter a sua relação (mesmo por motivos de puro interesse), nem que para isso ele tenha de matar alguém.
 
Avaliação final: Amor Vazio
 
 
Chloe:
 
Intimidade- ➕, Chloe é uma mulher bastante inocente e transparente. Ao longo do filme, ela apresenta seus sentimentos a Chris acreditando e esforçando-se para compreendê-lo. Desta forma, apesar da Chloe ser constantemente enganada por Chris, considero que na visão dela ela acredita existir intimidade entre os dois. É verdade que no final do filme ela começou a desconfiar dele e da existência de uma amante, ainda assim, este sentimento desaparece momentos após o assassinato e o nascimento do seu filho.  Assim darei nota ✔️
 
Paixão-✔️, é de notar que Chloe manteve seu intusiasmo e paixão por Chris ao longo do filme
 
Compromisso- ✔️, ao longo do filme, Chloe tenta tudo para manter uma relação saudável com Chris, recorrendo sempre que necessário á conversa para resolver os problemas da relação. Para além disso, ela nutre um forte desejo por engravidar e construir uma familia com Chris.
 
 
Avaliação final: Amor Puro
 
2- Nola e Chris
Chris:
 
Intimidade-❌, duvido que Chris sentisse algum tipo de intimidade por Nola, caso contrário ele não teria morto a sua amada.
 
Paixão- ✔️, definitivamente. Chega a ser engraçada a diferença no tipo de relações que ele tem com Nola e com Chloe (as relações com Nola são muito mais empolgantes e ousadas).
 
Compromisso- , Chris nunca quis ficar com Nola, negando sempre qualquer tipo de compromisso.
 
Avaliação final: Paixão
 
 
Nola:
 
 
Intimidade-✔️, considero que Nola mantinha sim intimidade com Chris na medida em que lhe contava muito sobre a sua vida, vários dos seus problemas e histórias pessoais. Nola também guardava um diário no qual escrevia bastante sobre Chris.
 
Paixão- ✔️, acredito que sim, Nola partilha o mesmo entusiasmo que Chris no que toca às relações intimas do casal
 
Compromisso- ✔️, apesar do descaso de Chris, Nola pretendia que ele largasse Chloe para se casar com ela e criarem o filho em conjunto, tanto que a própria iria contar tudo a Chloe caso Chris lhe continuasse a ocultar tudo.
 
Avaliação final: Amor Puro
 
 
Assim, segundo Sternberg, apenas Chris não mantém um amor puro por ninguém.
 
 
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Analisando os motivos que levariam Chris a assassinar Nola e a sua vizinha, podemos facilmente entender o personagem através de uma matéria estudada: a conação
 
Dentro de todas as teorias que visam entender o fenómeno, podemos descartar as motivações assentes em aspetos biológicos na medida em que o personagem Chris não agiu por instinto, nem por impulso (ele, na verdade, calculou cada mínimo detalhe), nem por excitação.
 
Assim, é mais fácil concluir que matar aquelas duas mulheres seria a ação mais racional para Chris. Uma vez que este fora motivado pela estabilidade e vantagens trazidas por seu relacionamento com Chloe. Ele não queria perder o seu estilo de vida luxuoso para se casar com Nola, e por isso considerou o assassinato como a melhor opção.
 
 
Pessoalmente achei este filme muito estranho uma vez que ele tem um começo e meio lentos, e um final extremamente atribulado (suponho que essa tenha sido a intenção do realizador). Acho uma pena o facto da modalidade que deu nome á obra ( o ténis) tenha perdido relevância com o passar do tempo, ao ponto de só ser mencionada no início do filme (levando a crer que seria um tema central) e no final, como um "álibi" para o protagonista dizer que não cometeu assassinato. Ainda assim achei o final bastante interessante, gostei principalmente de como conectou vários pontos antes triviais do filme. O final certamente melhorou muito o filme. As atuações foram excelentes, principalmente o ator do Chris (Jonathan Rhys Meyers).
No fundo, ver este filme foi uma boa experiência. Contudo não foi uma das minhas favoritas.

A Perceção e a Sensação

29.05.22

A perceção é um processo cognitivo através do qual contactamos com o mundo, caracteriza se por exigir a presença da realidade a conhecer. Pela perceção, organizamos e interpretamos as informações sensoriais. Assim, a perceção começa nos órgãos sensoriais (pele, língua, nariz, ouvidos e olhos) que são sensíveis a estímulos específicos. Ao processo de deteção e receção dos estímulos recebidos chama-se sensação.

Enquanto que as sensações são meras captações de estímulos, a perceção exige um trabalho de análise e síntese. E enquanto que a sensação é a experiência simples dos estímulos, a perceção envolve a interpretação das informações sensórias recebidas.
 

Acredito que a forma mais simples de ilustrar este conceito seja apresentando um dos meus movimentos artísticos favoritos; o impressionismo.

A pintura impressionista é essencialmente baseada na captação do momento. Desta forma, os pintores captavam as suas sensações e perceções da realidade numa tela 2d. Representando o movimento, a luminosidade do momento, cor e sombra das paisagens; chegando ao ponto de pintar o mesmo quadro em diferentes horários do dia. 
 
 
O caso mais prático disso são as cerca de 30 telas pintadas por Monet sob o tema da Catedral de Ruão.

Neste conjunto de telas podemos ver a Catedral de Ruão não só em vários pontos do dia como também sob várias condições meteorológicas. 

O foco deste projeto não está na Catedral, esta aparece maioritariamente desfocada nos quadros, mas sim na perceção que o artista teve no momento da pintura. 
 
Considero este movimento, e mais precisamente este conjunto de quadros, como uma ilustração perfeita desta matéria, visto que se trata de um exemplo prático da mesma.

A aprendizagem

22.04.22

A aprendizagem é a alteração relativamente estável do comportamento ou do conhecimento, devida à experiência, ao treino ou ao estudo.

 

Os elementos caracterizadores da aprendizagem são:

  • A alteração comportamental, pois só se pode falar de aprendizagem se o individuo adquiriu uma conduta que não possuía ou alterou uma já existente;
  • As modificações apresentadas têm de apresentar caráter duradouro;
  • A aprendizagem implica exercício, pois ninguém aprende sem experiência, prática, treino ou estudo.

 

 Existem dois tipos de aprendizagem associativa: o condicionamento clássico e o condicionamento operante.

 

O condicionamento clássico foi investigado pelo russo Ivan Pavlov que, organizou um estudo bastante interessante acerca dos reflexos digestivos do cão. Com ele o investigador descobriu uma forma de aprendizagem presente nos seres humanos e noutros animais.

Pavlov percebeu que ao estudar a produção de saliva em cães expostos a diversos tipos de estímulos palatares, com o tempo a salivação passava a ocorrer diante de situações e estímulos que anteriormente não causavam tal comportamento (como por exemplo o som dos passos de seu assistente ou a apresentação da tigela de alimento). Curioso, realizou experimentos em situações controladas de laboratório e, com base nessas observações, teorizou e enunciou o mecanismo do condicionamento clássico.

A ideia básica do condicionamento clássico dita que algumas respostas comportamentais são reflexos incondicionados, ou seja, são inatas em vez de aprendidas, enquanto outras são reflexos condicionados, aprendidos através do emparelhamento com situações agradáveis ou eversivas simultâneas ou imediatamente posteriores. Através da repetição consistente desses emparelhamentos é possível criar ou remover respostas fisiológicas e psicológicas em seres humanos e animais, assim como acontecera na experiência. 

 

O condicionamento operante foi, por sua vez, investigado pelo norte-americano Rufus Skinner. Este desenvolveu uma experiencia que o vai conduzir à descoberta do modo como tantas das nossas aprendizagens se processam e se mantêm.

Para controlar as variáveis da experiencia, o investigador criou um dispositivo experimental que tem o seu nome: a “caixa de Skinner”, que apresenta um dispositivo automático que liberta o alimento quando accionado. Inicialmente, o animal explorou o ambiente cheirando e deambulando no interior da gaiola. De seguida, e por acaso, o rato accionou a alavanca e recebeu uma porção de alimento. A partir de várias tentativas bem-sucedidas, o rato passou a premir a alavanca para receber o alimento. Esta experiência mostrou que o rato aprendeu a receber o alimento através do reforço positivo.

Depois disto, Skinner organizou outra experiência na qual colocou um rato numa caixa cujo chão produzia choques eléctricos que eram eliminados se uma alavanca fosse accionada. Então, o rato aprendeu que, para evitar a dor, deveria premir a alavanca.

Como foi visto nestas experiências, o condicionamento operante envolve o uso de recompensas e punições para mudar o comportamento de uma pessoa atravez de um reforço.
 
Existem dois tipos de reforço: o reforço positivo e o reforço negativo.
 
Os reforços positivos são as consequências agradáveis, como um elogio, um sorriso, comida, atenção, um abraço. De todas as vezes que ocorre um deles, o objeto de estudo tentará repetir aquilo que produziu a coisa agradável.
 
reforço negativo, por outro lado, é um acontecimento desagradável que, quando removido, tende a fortalecer o comportamento que possibilitou a sua remoção. Sendo este conceito um pouco confuso, irei dar um exemplo:
 
Se uma mãe repreende a sua filha quando ela faz desenhos nas paredes, provavelmente ela vais deixar de as riscar e, consequentemente, a mãe deixará de ralhar com ela. A filha não quer que a mãe lhe ralhe. Assim, parar de desenhar é fortalecido pela ausência de sermão.
 
Muitas pessoas supõe que a punição e o reforço negativo são a mesma coisa, mas os termos são usados em contextos diferentes pelos psicólogos. Enquanto o reforço negativo fortalece o comportamento pela sua remoção, uma punição visa enfraquecer algum comportamento através da sua aplicação. Se um pai bate num filho, depois de ele ter entornado um copo de leite, ou se suspende a mesada da filha por ela ter chegado a casa fora de horas, está a aplicar uma punição na esperança de que as crianças não repitam os comportamentos indesejáveis.
 

 

Aprendizagem por observação e imitação

A aprendizagem por observação e imitação foi estudada por Albert Bandura. Este senhor ofereceu numa das suas experiências um boneco a uma criança, que não demonstrou nenhuma atitude violenta. Contudo, depois da criança assistir a um adulto a bater ao boneco imitou este comportamento.

Bandura confirmou que a experiência dos outros pode conduzir à aquisição de novos comportamentos.

Ainda assim, notou que algumas crianças não reproduziam o comportamento que observavam. Concluiu que não basta apenas observar e reter um comportamento para o imitar e que a fase de execução implica factores internos do próprio sujeito.

Pessoalmente não obtive muito interesse nesta matéria, tendo preferido antes a matéria anterior (relacionada com a memória e o esquecimento.

Os 3 Processos da Mente

09.03.22

Durante muito tempo associou-se o conceito de mente á dimensão cognitiva do ser humano. Falar em mente humana era o mesmo que falar em raciocínio, dedução, abstração, juízos e conceitos.

 
Entretanto, com o passar do tempo compreendeu-se que o funcionamento mental não se reduz apenas á dimensão cognitiva, á produção racional, abstrata dos conhecimentos. E assim compreendeu-se que a mente humana implicava também a emoção, os sentimentos, a afetividade e a ação.
 
A partir de então, a mente passa a ser encarada como um sistema que integra os processos cognitivos e também os processos emocionais e conativos. É uma manifestação total de processos dinâmicos que interagem constantemente de forma complexa: os processos mentais implicam-se mutuamente de forma integrada.
 
 
Os 3 processos mentais: 
 
- Processos cognitivos: estão relacionados com o saber, com o conhecimento, reportam-se á criação, transformação e utilização da informação do meio interno e exterior. Associam-se á questão “O quê?”. No âmbito dos processos cognitivos, estudaremos a perceção, a memória e a aprendizagem. 
 
- Processos emotivos: estão relacionados com o sentir; são estados vividos pelo sujeito caracterizados pela subjetividade. Correspondem às vivências de prazer e desprazer e á interpretação das relações que temos com as pessoas, objetos e ideias. Estão associados á questão “Como?”. No âmbito dos processos emotivos estudaremos a emoção, o afeto e o sentimento. 
 
- Processos conativos: estão relacionados com o fazer, expressam-se em ações, comportamentos. Correspondem á dimensão intencional da vida psíquica. Estão associados á questão “Porquê?”. No âmbito dos processos conativos procuraremos relacionar os conceitos de intencionalidade, tendência e esforço de realização.